Abrigo que acolhe menores organiza feijoada beneficente após sofrer incêndio em disjuntor: ‘Nada se constrói sozinho’, diz coordenadora
Casa de acolhimento busca arrecadar R$ 20 mil após sofrer incêndio em disjuntor de energia Escutar com atenção, acolher sem julgamentos e estar presente. Mu...
Casa de acolhimento busca arrecadar R$ 20 mil após sofrer incêndio em disjuntor de energia Escutar com atenção, acolher sem julgamentos e estar presente. Muitas vezes, esses gestos são a principal forma de apoio para quem enfrenta momentos difíceis. Quando esse cuidado é voltado a crianças e adolescentes, a escuta qualificada e a sensibilidade se tornam ainda mais essenciais. Em Cerquilho (SP), uma instituição busca oferecer esse ambiente seguro a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, por meio de acolhimento, proteção e apoio para enfrentar os desafios do dia a dia. 📲 Participe do canal do g1 Itapetininga e Região no WhatsApp Há mais de 30 anos, a Casa da Criança acolhe crianças e adolescentes de ambos os sexos, com permanência até os 18 anos incompletos. A instituição atua como uma Organização da Sociedade Civil (OSC), de forma independente. Para que essa atividade continue acontecendo, a instituição conta com ajuda de voluntários e doações financeiras. Mas, apesar de todos os esforços para manter as atividades, os responsáveis pela instituição também se deparam com situações que fogem do controle. Ao g1, a psicóloga e coordenadora da Casa da Criança, Rebeca Naomi, de 28 anos, contou que, em junho, o disjuntor da rede elétrica da instituição pegou fogo, provocando um prejuízo estimado em cerca de R$ 20 mil. “Ela [a funcionária] ligou para o Corpo de Bombeiros, apagou o fogo ali com o extintor de incêndio, todo mundo ficou muito nervoso. O imóvel todo poderia ter pegado fogo, mas a agilidade da educadora preveniu da casa não pegar fogo”, relembrou. Depois de sofrer prejuízo em incêndio, Casa da Criança busca arrecadação para pagar os custos Casa da Criança Cerquilho/Reprodução Segundo Rebeca, a situação poderia ter sido ainda mais grave se a instituição não tivesse providenciado a substituição do quadro de energia elétrica externo. Ela explica que o prédio é antigo e a rede elétrica também apresentava sinais de desgaste, o que causava problemas frequentes, como a queima de chuveiros e o desarme constante dos disjuntores. Na época, um eletricista voluntário da instituição informou que seria necessária a troca completa da fiação elétrica, orçada em cerca de R$ 20 mil. No entanto, como a intervenção não era considerada urgente naquele momento, a entidade não tinha condições financeiras de realizar o serviço. No fim do último mês, a instituição sofreu um incêndio no disjuntor de energia elétrica Casa da Criança Cerquilho/Reprodução LEIA TAMBÉM: Adolescente com autismo escreve livro em um dia e usa história para falar sobre bullying e superação: 'Externar o que sinto' Estudante do interior de SP embarca para intercâmbio na Nova Zelândia e leva escultura de artista local: 'Representa a nossa cultura' Adolescentes da Fundação Casa têm contato com astronomia em experiência imersiva de planetário itinerante: ‘É muito lindo’ A realidade mudou após o incêndio, que tornou necessária a substituição completa da estrutura elétrica da instituição. Segundo a coordenadora, a campanha de arrecadação tem como objetivo custear a obra e amenizar os prejuízos provocados pelo incidente. “Eu precisava da casa com energia, porque eu acolho crianças e adolescentes, não tenho onde colocá-los até esperar levantar o dinheiro. Falei para um eletricista e dono de uma loja o seguinte: ‘a gente vai fazer a manutenção, mas eu não tenho dinheiro para pagar vocês. Eu me comprometo a pagar, só não sei quando’. Daí a gente começou com o evento da feijoada”, explicou. 🍽️ Feijoada beneficente O anúncio da feijoada beneficente foi feito nas redes sociais da Casa da Criança. No vídeo, Rebeca explica o incêndio, os prejuízos causados e pede o apoio da população por meio da compra das marmitas. A publicação ultrapassou 34 mil visualizações e mobilizou moradores da cidade. Veja o vídeo neste link. Segundo Rebeca, após a divulgação da ação, moradores procuraram a instituição para contribuir com a doação de mantimentos que serão utilizados no preparo das marmitas. “A confiança de que o nosso trabalho é feito com seriedade, a gente está aqui para proteger as crianças e adolescentes. As pessoas entraram de cabeça com a gente nisso e isso me deixou muito feliz. Nós recebemos doações de calabresa, de feijões, arroz, quase tudo nós ganhamos”, compartilhou a responsável. Atualmente, a instituição atende seis menores, mas o espaço pode acolher até 20 crianças ou adolescentes Casa da Criança Cerquilho/Reprodução Ao todo, 15 voluntários participam da preparação da feijoada, que também contou com doações de moradores, empresários e instituições parceiras da Casa da Criança, fundamentais para viabilizar a ação beneficente. “É muito positivo perceber tanta gente ajudando, o engajamento também das pessoas com a causa da proteção. É muito gratificante, porque para a gente construir um trabalho sério demora muito tempo. Nada se constrói sozinho”, apontou Rebeca. A feijoada beneficente será realizada neste domingo (26). A marmita inclui feijoada, arroz branco, couve refogada, farofa e laranja. Quem for retirar o pedido, a partir das 11h, também poderá adquirir uma sobremesa preparada pela instituição: doce de abóbora com coco. Os pedidos podem ser feitos pelo telefone (15) 99736-2353, e a retirada será realizada na Avenida Prefeito Antônio Souto, 755, no Jardim Itália, próximo ao Ginásio de Esportes de Cerquilho. Quem não fizer a reserva antecipadamente também poderá comprar a marmita no local, enquanto houver disponibilidade, com pagamento na hora. O local realiza a moradia de crianças e adolescentes que passam por situação de vulnerabilidade Casa da Criança Cerquilho/Reprodução 🫂 Abrigo para menores Atualmente, a Casa da Criança acolhe seis crianças e adolescentes, embora tenha capacidade para atender até 20 menores. A instituição mantém convênio com a Prefeitura de Cerquilho e atua de forma integrada com a rede de proteção do município, em articulação com a Unidade Básica de Saúde (UBS), o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) e o Centro de Referência de Assistência Social (Cras). “Se a rede de proteção identifica uma criança ou adolescente que está em uma situação de vulnerabilidade e que está tendo seu direito violado, vão ser trabalhadas as possibilidades das políticas públicas existentes para manter a criança com a família, desde que dê a proteção devida”, explicou. No local, os menores da idade recebem acolhimento, atendimento na saúde e educação Casa da Criança Cerquilho/Reprodução Nos casos em que crianças ou adolescentes são vítimas de violência e os órgãos responsáveis avaliam que é necessário afastá-los dos agressores, eles são encaminhados para a Casa da Criança, onde recebem acolhimento e proteção. “Vamos supor que essa possível violência, o Estado entende que provisoriamente, de forma excepcional, precisa retirar essa criança ou esse adolescente desse meio familiar, aí ele vem aqui para nós”. Na instituição, as crianças e os adolescentes recebem moradia, alimentação, acompanhamento médico e apoio para a continuidade dos estudos. Paralelamente, as famílias também são acompanhadas por equipes de psicologia e assistência social. Durante esse processo, são avaliadas e articuladas políticas públicas para que a situação de vulnerabilidade seja superada e, sempre que possível, o vínculo familiar seja restabelecido. “A gente se reúne mensalmente para discutir o caso, entender o que podemos fazer. A criança está acolhida e protegida aqui, mas o intuito é o direito da convivência familiar. Precisamos devolvê-lo para a família, mas para uma que a proteja”, afirma. Para seguir atendendo os menores, a Casa da Criança atua com ajuda de voluntários e parceiros Casa da Criança Cerquilho/Reprodução “Aqui já passaram muitas histórias, rompimentos de vínculos, mas muitas também foram reconstruídas. Tudo o que a gente faz, marca para sempre a vida deles e nunca vão esquecer da ‘tia’ que trabalhava aqui”, continua Rebeca. À frente da instituição há um ano, Rebeca afirma que a chegada de cada criança ou adolescente acolhido é sempre um momento delicado e carregado de angústia. Segundo ela, a equipe busca oferecer um ambiente seguro e acolhedor, já que, para quem acaba de chegar, tudo é novo e cercado de incertezas. “Precisamos lidar com histórias sofridas diariamente e sermos profissionais para entregar o melhor para aquela criança. Toda vez que chega um acolhimento sinto um nó na garganta, que demora uns dias para passar. Nenhuma criança deveria ser afastada da sua família, mas se está acontecendo, é de extrema necessidade”, contou. Segundo Rebeca, quando uma nova criança ou adolescente chega à instituição, os próprios acolhidos fazem questão de recebê-lo e ajudá-lo na adaptação, para que se sinta seguro e acolhido. Ela afirma que outro momento marcante é o retorno dos menores ao convívio familiar, uma etapa que também costuma ser cercada de emoção para toda a equipe. “Ficamos novamente com um aperto no coração, mas de alegria, porque ele vai ter aquele direito da convivência familiar preservado novamente. Ao mesmo tempo, dá uma saudade. É um trabalho complexo, mas muito gratificante”, concluiu. Os interessados em contribuir, se voluntariar ou obter mais informações sobre a Casa da Criança podem entrar em contato pelo site, pelas redes sociais ou pelo telefone (15) 3284-1952. O g1 conversou com a psicóloga da instituição que está há um ano à frente da coordenadoria Casa da Criança Cerquilho/Reprodução *Colaborou sob supervisão de Larissa Pandori Veja mais notícias no g1 Itapetininga e Região Initial plugin text VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM